2022: vamos experimentar uma resolução por mês?


11 Janeiro 2022

JUNHO: Caminhar na natureza

Estamos em Junho, em plena Primavera e com o Verão à porta, com dias amenos e solarengos. A altura ideal para esta resolução: passar mais tempo na natureza.

De acordo com um estudo publicado na revista “Environmental Research”, as pessoas que fazem caminhadas pela natureza – o chamado “shinrin yogu” (“banho de floresta”) – têm um risco bem mais reduzido de ter problemas de saúde crónicos, como, por exemplo, doenças cardíacas, colesterol alto, pressão arterial elevada, diabetes de tipo 2 e, claro, têm menores níveis de cortisol (a hormona do stress).

Fazemos exercício, apanhamos sol e o ar que respiramos é mais puro, mas os benefícios não parecem ficar por aqui. Os banhos de floresta podem ajudar também o nosso sistema imunitário (e bem que precisamos dele a funcionar bem agora), através de uma substância que as árvores libertam, os fitocidas. Há alguns estudos neste âmbito, conduzidos a partir do Japão, de onde é originária a tradição do “shinrin yogu”. Os resultados não são consensuais, mas, ciência à parte, pergunte-se: caminhar na natureza é algo que o relaxa e lhe faz bem? Se sim, tente fazê-lo sempre que puder este mês. Pode ser durante a semana, num jardim ou parque perto de casa, ou pode planear para fazer no fim-de-semana ou na sua folga. É também um óptimo programa para fazer em família.

JULHO: Detox tecnológico

Hoje em dia, vivemos dependentes da tecnologia para tudo e mais alguma coisa, seja em contexto de trabalho, seja em lazer. Computadores, televisão, redes sociais ou internet em geral, nada disto deve ser encarado como um inimigo, mas devemos ter consciência de quando os estamos a utilizar de forma excessiva. E, sobretudo, quando isso nos rouba aquele tempo que dizemos não ter para fazer outras actividades, que estejam em linha com que realmente queremos e nos faz bem.

Para este mês, em que o calor e sol chamam por nós fora de casa, a proposta é que tente fazer ao máximo um detox tecnológico. Neste artigo, encontra várias ideias para o ajudar nisso. Escolha as que fizerem mais sentido para si. O tal jornalista da CNN David Allan, em quem me inspirei para criar estas micro-resoluções, definiu que a sua seria não usar computador ou telemóvel sempre que estivesse na presença dos filhos.

Lembre-se: a ideia deste detox não é apagar as suas redes sociais ou esquecer que tem telemóvel. O objectivo é que se torne mais consciente da utilização que faz da tecnologia e, ao mesmo tempo, libertar tempo para si.

AGOSTO: Hidratar

Sim, não vamos andar com resoluções exigentes em Agosto, que ainda para mais costuma ser o mês das abençoadas férias de Verão para muitos portugueses. A resolução para este mês é, provavelmente, a mais simples de todas: beber água.

Com o calor, o nosso corpo tende a desidratar mais e, por isso, convém reforçar o consumo de água. Além disso, a nossa pele – mais exposta à radiação solar – também agradece. O compromisso é beber pelo menos 2 litros de água, todos os dias. Se falhar algum, paciência, recomece no dia seguinte. 

A minha estratégia é andar sempre com uma garrafa atrás, para onde quer que vá, e começar todas as manhãs a beber um grande copo de água. Se esta resolução parece um sacrifício, porque é daquelas pessoas que fica à espera de ter sede para beber água (o que, fique a saber, pode ser já um sinal de desidratação), experimente aromatizá-la (limão, gengibre, laranja, pepino ou canela, por exemplo) ou invista nos chás frios. 

SETEMBRO: Auto-cuidado

Setembro costuma ser aquele mês complicado. Muitos regressam ao trabalho, recomeça a escola dos filhos, voltamos à rotina de casa. Rapidamente o bem-estar e o relaxamento das férias dão lugar ao stress. Sentimo-nos assoberbados, perdemos o norte e torna-se mais difícil levar a cabo os nossos objectivos. Por isso, a proposta de resolução para este mês pode parecer-lhe um contra-senso. Se sente que não tem tempo para nada, como vai ter tempo para cuidar de si? É precisamente por isso que ela está aqui.

O problema é que, quando pensamos em auto-cuidado, pensamos logo em grande: “devia treinar 3 vezes por semana”, “devia comer melhor”, “devia meditar todos os dias”. É o tudo ou o nada. O que proponho é que pense em pequeno. Tente bloquear, todos os dias, um pequeno bloco de tempo no seu calendário, inteiramente dedicado a si. Podem ser 10 ou 15 minutos, pode ser meia hora ou uma hora. Não tem de ter a mesma duração todos os dias. Mas tem de estar “bloqueado”, tem de estar na agenda, como se fosse uma reunião de trabalho, uma consulta, a hora do almoço ou a de ir buscar os filhos à escola.

Nesse intervalo de tempo, cuide de si. Faça algo que lhe traga calma, alinhamento, boa energia e bem-estar. Pode ser uma pequena meditação ou prática respiratória, uns alongamentos, um banho quente, passar creme no corpo ou fazer uma máscara facial, uma aula de yoga, uma caminhada ao ar livre, uma sesta, ler, ouvir música, etc. Há imensas possibilidades e só nós sabemos o que valorizamos e o que nos faz bem. Neste artigo, encontra um guia passo a passo sobre como criar uma rotina diária para cuidar de si e várias ideias de práticas de auto-cuidado.

OUTUBRO: Fotografia mental

O desafio deste mês é bastante simples: tentar tirar, todos os dias, uma espécie de fotografia mental do momento. Que momento? Um momento qualquer do seu quotidiano, pode ser totalmente banal, mas em que se sinta bem, que sinta que tudo está bem e que se sinta grato por estar a experienciar. 

Alguns exemplos de “screenshots” mentais que eu já tirei, só para perceber melhor a ideia: um céu maravilhoso de pôr-do-sol, a família reunida à volta da mesa num almoço, o sorriso de alguém de quem gosto, estar enroscada no meu companheiro no sofá a ver um filme, uma caminhada ao ar livre a levar com o calor do sol.

Esta ideia de fotografar o momento é da norte-americana Brené Brown, conhecida pelas suas investigações e publicações sobre os temas da vergonha, vulnerabilidade e liderança. O que lhe proponho aqui é que tente fazer uma foto destas, todos os dias deste mês, e que, no momento em que “disparar”, se deixe envolver pelo sentimento que esse momento lhe desperta. Tantas vezes andamos à procura dos grandes momentos, e das grandes emoções, mas é nas coisas mais banais que se esconde a felicidade.

NOVEMBRO: Dizer não

Para o penúltimo mês do ano, temos uma resolução forte: dizer não. A ideia é abandonar algo que sentimos que nos faz mal. Pode ser um hábito alimentar que sabe que não o está a favorecer (ex: aquele docinho depois do almoço), um hábito de consumo (ex: estar sempre a comprar roupa), um padrão de pensamento (ex: “não sou capaz”, “não sou merecedor”, “ninguém me dá valor”) ou até tentar evitar o contacto com alguém que sabe que lhe faz mal.

Tanto quanto possível, procure riscar da sua vida esse factor que lhe está a fazer mal. E, calma, é só um mês, lembra-se? Não é um desafio fácil, bem sei. Não somos educados para dizer não às outras pessoas, e nem mesmo a nós próprios. Raramente pomos em causa os nossos próprios padrões de pensamento, e eles são tantas vezes os principais responsáveis pelo nosso sofrimento e, consequentemente, pela dinâmica das relações que temos com quem nos rodeia.

Abandonarmos uma crença que temos sobre nós, mesmo que só por um mês, é certamente o mais difícil. Mas experimente: desafie-se a viver este mês como se não acreditasse nisso, vista a pele de outra personagem. E aperceba-se do poder de dizer não.

DEZEMBRO: Agradecer

Para este mês, não havia como ficar imune ao espírito natalício. A micro-resolução para Dezembro é praticar a gratidão. Deixo duas sugestões.

A primeira é a que David Allan levou a cabo e que me parece fantástica: o jornalista comprometeu-se a chegar ao fim do mês com 30 “obrigados” dados, um por cada dia. Optou por entregar notas escritas à mão a pessoas a quem queria agradecer, como amigos, colegas de trabalho, professores dos filhos, etc. Esta é uma das opções, mas claro que pode adaptá-la ao seu gosto.

A alternativa é fazer uma espécie de diário de gratidão, onde, todos os dias, de manhã ou à noite,  tome nota de 3 “coisas” pelas quais se sinta grato. Pode incluir relacionamentos, lugares, acontecimentos, sentimentos ou emoções. Pode ser algo que aconteceu no próprio dia ou algo mais intemporal que lhe vem ao pensamento nesse momento (ex: “sinto-me grato por ter dinheiro suficiente para viver bem”, “sinto-me grato pela minha casa”).

Estudos e mais estudos têm demonstrado que praticar a gratidão traz muitos benefícios à saúde mental e melhora o nosso bem-estar. Sentirmo-nos gratos e expressarmos isso faz de nós seres mais felizes. Nada melhor para terminar o ano, não lhe parece?

Artigo originalmente publicado no site do Jornal Público

Photo by Brooke Lark on Unsplash