Como fazer resoluções de ano novo à prova de bala


5 Janeiro 2021

As resoluções de ano novo são um tema mais do que batido. Ainda para mais, geralmente inútil, porque já nos aconteceu o mesmo a todos: terminámos o ano cheios de boas intenções e grandes planos para o novo ano e, depois, passados alguns dias (para os menos resistentes) ou semanas (para os mais resistentes), acabamos por nos deixar “abandalhar” e esquecer tudo aquilo que prometemos com tamanha devoção.

Então, para quê resoluções de ano novo? Muitas vezes, o problema não está em fazê-las, mas em como as fazemos. Segundo um estudo do Journal of Clinical Psychology, as pessoas que definem resoluções para o novo ano têm 10 vezes mais probabilidade de mudarem de facto o seu comportamento do que aquelas que não estabelecem esses objectivos. Então… “O problema é meu? Eu é que não consigo cumprir com aquilo a que me proponho?”. Nada disso.

Neste artigo, vou guiá-lo passo a passo neste desafio de criar resoluções para 2021. Se já as definiu, melhor ainda, mas veja se as consegue encaixar neste esquema ou se as pode “apurar”. No final, vou deixar uma sugestão de abordagem totalmente diferente às resoluções de ano novo –  as micro-resoluções, uma para cada mês do ano.

O esquema que proponho inspira-se num dos mais conhecidos modelos de mudança de comportamento (o Transtheoretical Model), de James Prochaska e Carlo Diclemente, que define 6 estágios de mudança: pré-contemplação, contemplação, preparação, acção, manutenção e recaída. Se definiu as suas resoluções para o novo ano ou se as quer definir, já ultrapassou a primeira fase, que é aquela em que ignora o problema ou está em negação do mesmo. Também já terá ultrapassado a segunda fase, em que sabe que devia mudar, mas tem um forte sentimento de ambivalência e emoções contraditórias em relação a isso, que não o deixam avançar. Muitas pessoas nunca chegam a passar a fase da contemplação. Mas este não é o seu caso, por isso vamos ao ataque.

Primeira passo: preparação

O ponto de partida para qualquer mudança deve ser definir qual o seu objectivo. Parece simples, não é? Mas este é provavelmente um dos aspectos mais difíceis e aquele onde acabamos por tropeçar, mesmo antes de ter iniciado a viagem.

É frequente as resoluções de ano novo conterem objectivos como “quero fazer mais exercício físico” ou “quero perder peso ou ter uma alimentação melhor”. São bons objectivos, mas demasiado gerais para passarem do papel à prática. Muitas vezes, atribuímos a culpa à nossa falta de motivação, quando, na realidade, o problema é a falta de clareza.

Por isso, qualquer objectivo deve ser SMART:

– Specific (Específico)

– Measurable (Mensurável)

– Attainable (Atingível)

– Relevant (Relevante)

– Time bound (Calendarizável)