Depois das férias, como voltar a entrar na linha


1 Setembro 2021

O fim das férias parece-se quase ao final do ano. É uma espécie de ponto de viragem no calendário. Andámos livres, leves e soltos, a aproveitar o Verão, e agora chega a altura de voltar ao trabalho e à rotina. Acabaram-se os gelados e as bolas de berlim na praia, a balança talvez acuse uns quilinhos a mais e sabemos que precisamos de entrar nos eixos. Tal como na viragem de ano, enchemo-nos de resoluções: “é desta que vou ter uma alimentação saudável” ou “é agora que vou perder peso”. E tantas vezes elas não saem do papel.

Claro que, para a maioria das pessoas, o problema não está em saber o que comer. A alimentação saudável está na moda e há toneladas de informação sobre isso. O problema está em organizarmo-nos para comermos de forma saudável no nosso dia-a-dia. Essa é a principal dificuldade apontada pelos meus clientes e, por mais que gostasse de afirmar o contrário, não há aqui fórmulas universais que encaixem em todos as pessoas e em todas as casas.

Por isso, resta-me partilhar como cheguei à minha fórmula de sucesso e dar algumas dicas para o ajudar à chegar à sua. Quem sabe não descubra o segredo universal e fique milionário. Vamos então às quatro estratégias de base:

1 – Longe da vista, longe da boca

Se chegou ao fim das férias com aquela sensação que “abusou um bocadinho” e que precisa de desintoxicar o corpo dos excessos, talvez seja uma boa ideia fazer uma limpeza geral e deixar na prateleira do supermercado aqueles produtos que não se encaixam no conceito de alimentação saudável.

Isso quer dizer que não pode haver bolachas, doces, batatas fritas, chocolates ou outras tentações lá por casa? Depende do seu poder de auto-controlo. Eu, por exemplo, prefiro não ter. Faço os meus próprios snacks ou doces saudáveis quando sinto necessidade e deixo as “estragações” para ocasiões especiais, fora de casa.

Claro que por vezes me apetece algo doce e fico desiludida quando olho para a minha despensa e não há nada que possa comer, a não ser um quadrado de chocolate (bem) preto. Mas acabo por pegar numa peça de fruta ou por me distrair a fazer outra coisa qualquer e aquela vontade passa. Geralmente, quando temos apetites por alimentos deste género (mais apetecíveis ao palato, como os doces ou os salgados), não é de fome física que falamos, mas de fome emocional. É fácil perceber que não são eles que a vão “matar”.

2 – Despensa 100%  saudável

Esta estratégia é o reverso da anterior e é bastante óbvia. Se quero comer de forma saudável, tenho de encher o meu frigorífico e despensa dos alimentos certos. E que alimentos são esses?

Vegetais frescos e variados

Tente trazer para o prato o máximo de cores possível. Quando faz a sua lista de compras, pense nos vegetais que vai precisar para a semana: vegetais para sopas, para saladas de folhas cruas, para assar no forno, cozer ou saltear. Faça deles os reis do prato: metade do prato deve estar ocupado por vegetais e, se acompanhar a sua refeição com uma salada de folhas ou com uma sopa, ainda melhor. Descubra os vegetais que gosta mais, aposte neles, mas não se esqueça de ir variando nas escolhas quando for às compras. Neste artigo, encontra algumas estratégias para aumentar o consumo de vegetais.

Fruta

Vale a mesma regra: quanto mais cor, mais nutrientes e vitaminas diferentes traz para a sua alimentação, e mais benefícios para a sua saúde. Além disso, a fruta é um óptimo snack e ajuda a diminuir os nossos apetites por outros doces menos saudáveis.

Proteína

Carne, peixe, ovos e também de proteína de origem vegetal, como as leguminosas (feijão, grão, lentilhas) ou os produtos de soja (tofu). Se formos às compras para a semana ou para mais tempo, pode ser difícil garantir que temos todos os dias carne ou peixe frescos (e lembre-se que, no caso da proteína animal, a porção que comemos não deve ultrapassar a palma da mão). É aqui que entram as leguminosas. São práticas, podem ser cozinhadas em quantidades maiores ou até congeladas.

Cereais

Arroz, massa, aveia, millet, quinoa, bulgur, espelta, cuscuz, trigo sarraceno, são apenas alguns exemplos. Tal como as leguminosas, podem ser cozinhados em quantidades maiores. Dê preferência aos cereais integrais.

Gorduras saudáveis

Abacate, sementes variadas (sésamo, linhaça, girassol, chia, cânhamo), frutos secos, peixes gordos (salmão, atum, cavala), azeite, entre outros. Este tipo de produtos é muito prático para ter em casa, porque tem validade alargada (exceptuando os abacates e peixes sem ser em conserva) e podem ser incorporados em praticamente todas as nossas refeições (ex: tosta de abacate com ovo ao pequeno-almoço, abacate nas saladas ou batidos, frutos secos ou sementes no iogurte ou nas saladas, etc).

Ervas, temperos, condimentos, especiarias

São elementos essenciais para ter na cozinha, porque são eles que permitem que, mesmo que usemos os mesmos ingredientes, possamos criar pratos novos com sabores diferentes.

Se abrirmos o nosso frigorífico, olharmos para a nossa despensa e encontrarmos isto, temos meio caminho andado para ter uma alimentação saudável. Todos nós adoramos a conveniência e, se tivermos comida saudável à mão, é mais provável que acabemos a comê-la do que se não tivermos. Além disso, facilita as nossas decisões, o que é bastante útil, sobretudo naqueles dias em que o trabalho se arrasta e chegamos ao jantar cheios de fome.