Detox de Primavera


23 Março 2022

Detox passo a passo

Um detox natural e seguro passa por ajudar o nosso corpo a metabolizar as toxinas, ao mesmo tempo que reduzimos a exposição aos tais químicos e a alimentos mais inflamatórios.

1 – Eliminar os “agressores” na alimentação: álcool, café, tabaco, açúcares refinados, gorduras saturadas, produtos altamente processados, tudo isto contribui para a acumulação de toxinas e pode prejudicar a nossa saúde. Algumas pessoas podem também beneficiar da limitação dos lacticínios ou do glúten, se houver algum tipo de sensibilidade ou intolerância associadas. 

2 – Eliminar os “agressores” externos: tente reduzir a utilização de químicos em casa, presentes em muitos dos produtos de cosmética e de limpeza. Tenha também atenção aos tais disruptores endócrinos. Alguns exemplos: o BPA (Bisfenol A), um composto existente em muitos plásticos e nas latas de bebidas; o PFOA (ácido perfluorooctanóico), usado nas panelas anti-aderentes; ou os ftalatos, que são usados nos plásticos para os deixar mais maleáveis. Mas há muitos mais (demasiados!). Na alimentação, o ideal será também privilegiar a produção proveniente de agricultura biológica, na qual não são usados adubos, fertilizantes ou pesticidas químicos.

3 – Apostar numa alimentação natural, rica em vitaminas, minerais e nutrientes que ajudam na desintoxicação. Os vegetais deverão ser a peça central da sua alimentação e deve variar o mais possível. Para um detox eficaz, convém reforçar o consumo de vegetais crucíferos (como bróculos, couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho, outras couves, nabo, agrião, acelgas, rúcula e rabanete), que contêm fitoquímicos que estimulam as nossas enzimas desintoxicantes. A cebola e o alho –  por conterem compostos sulfurosos (à base de enxofre) – também ajudam o nosso sistema de desintoxicação a funcionar melhor. Neste artigo, encontra várias dicas para ajudar a aumentar o consumo de vegetais.

4 – Ingerir alimentos com fibra. Além dos vegetais, aposte na fruta, nos cereais integrais (aveia, arroz integral, centeio, etc) e nas leguminosas (feijão, grão, lentilhas…), que são ricos em fibra, um elemento essencial ao bom funcionamento dos intestinos. E, quanto melhor estes trabalharem, mais facilmente o nosso corpo elimina as toxinas. A falta de fibra é, aliás, um dos problemas dos detoxs à base de sumos e líquidos. Sem ela, ou o corpo acaba por reabsorver as toxinas ou as elimina através da diarreia – algo que certamente não desejamos.

Isso não quer dizer que os sumos ou os batidos não possam fazer parte do seu processo de detox. Para isso, o ideal será preservar a fibra dos alimentos (mantendo a casca dos vegetais e da fruta) ou adicioná-la sob a forma de sementes (de chia ou linhaça, por exemplo). Se quiser mais dicas sobre como fazer estes batidos verdes, espreite este artigo. Mas não se esqueça: se aumentar o consumo de fibra, tem de fazer aquilo de que falo a seguir, para não correr o risco de ficar obstipado.

5 – Beber muita água. Esta é fundamental para nos mantermos hidratados e para ajudar o nosso corpo a eliminar as toxinas, quer através da urina, quer pondo os nossos intestinos a trabalhar melhor. Se beber água é algo que lhe custa, experimente aromatizá-la (com limão, laranja, pepino, canela…) ou recorrer a chás.

A água com limão em jejum e o sumo de aipo costumam ser dois famosos protagonistas dos planos de detox. Não há propriamente evidências científicas que sustentem os seus benefícios para a desintoxicação do corpo. Mas a verdade é que mal também não fazem, antes pelo contrário. Ao conterem potássio, tanto o limão como o aipo produzem um efeito diurético. Além disso, são ambos ricos em vitamina C e flavonóides, o que lhes confere propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Se quiser ser mais audaz, pode juntar spirulina ou clorela (ou uma mistura das duas), dois tipos de algas, geralmente vendidas em pó, que são consideradas super-alimentos. A lista de benefícios é bastante extensa: ambas ajudam à função intestinal, têm propriedades anti-virais e reforçam o sistema imunitário, só para referir alguns. A clorela é ainda um aliado directo poderoso na desintoxicação, porque se liga aos metais pesados (como o câdmio, urânio e mercúrio), ajudando à sua eliminação.

6 – Fazer exercício físico. A actividade física aumenta o fluxo sanguíneo, ajudando os nossos órgãos a levarem a cabo o seu trabalho de desintoxicação de uma forma mais eficaz. Além disso, leva-nos a transpirar, e o suor é também uma forma de eliminar as toxinas através da pele. Banhos turcos ou sauna também são uma boa opção. Se precisa de um “empurrão” para começar a mexer-se, sugiro que leia este artigo.

7 – Experimentar a esfoliação a seco. Além de limpar a pele e eliminar as células mortas, a esfoliação a seco estimula a circulação sanguínea e o sistema linfático, ajudando o corpo a livrar-se das toxinas através da pele. E – atenção, sexo feminino – vem com bónus: ajuda a reduzir a celulite. Como se faz? Antes de tomar banho, pegue numa escova de cerdas naturais e comece por massajar os pés, subindo gradualmente para o resto do corpo, fazendo movimentos longos e circulares.

8 – Abrandar o ritmo. Reduzir o stress e dormir bem é, provavelmente, o elemento mais importante para que um plano de detox funcione bem. Conhece a expressão “ter um sono restaurador”? Tem fundamento. Durante as horas que dormimos, o nosso corpo não está a gastar a energia habitual de que precisa para se mover, digerir ou pôr o cérebro a funcionar. Isto faz com que essa energia seja canalizada para outras funções, como a eliminação de toxinas, a produção de hormonas e o combate a infecções. 

Quando não dormimos tanto quanto deveríamos, o nosso corpo não consegue completar estas tarefas. As toxinas acumulam-se, cria-se inflamação e desequilíbrios hormonais, abrindo caminho a vários problemas de saúde. O mesmo é válido para o stress. Para muitas pessoas, este é o calcanhar de Aquiles. As soluções têm de ser pensadas caso-a-caso, mas encontra aqui algumas ideias para começar.

Photo by Vicky Nguyen on Unsplash

Artigo originalmente publicado no site do Jornal Público