Exercício físico: como criar uma rotina para a vida


21 Abril 2021

2 – Ouvir o corpo

Movimentar o corpo é muito parecido ao acto de nos alimentarmos. A partir do momento em que entendemos que tipos de movimentos gostamos e nos fazem bem, podemos escolher de entre um menu de actividades a que faz mais sentido para nós num determinado dia e contexto.

Há dias em que o nosso corpo nos pede uma prática mais vigorosa (como kickboxing, corrida ou treino de alta intensidade) e outros em que necessita de práticas mais suaves, como yoga, alongamentos ou uma simples caminhada. Há dias em que simplesmente lhe vai pedir para não fazer nada, e não há mal nenhum nisso.

O exercício físico não se deve adequar apenas aos nossos gostos, personalidade e estilo de vida, mas também aos nossos estados de espírito e flutuações hormonais (no caso das mulheres, o ciclo menstrual pode influenciar muito a escolha da actividade física). Tal como a alimentação, ele ajuda a trazer equilíbrio ao corpo e à mente, e é com esse intuito que deve ser praticado, e não porque “tem de ser” ou com vista a atingir um determinado número na balança.

3 – Pôr na agenda

A partir do momento em que identificou aquilo de que gosta, ponha na agenda. Mas ponha mesmo, como se fosse uma reunião, uma consulta ou uma ida ao supermercado. Analise em que alturas do dia lhe dá mais jeito fazer exercício: de manhã, antes de começar a trabalhar? À hora de almoço? Depois do trabalho? Se está em teletrabalho, será que pode aproveitar aqueles momentos “mortos” e meio da manhã ou da tarde?

Mas, sobretudo, mantenha-se flexível. Se a sua rotina lhe permite treinar todos os dias à mesma hora, óptimo. Mas se não permite, não há problema. Se calhar num dia consegue fazer uma pequena prática de yoga de manhã, noutro consegue encaixar um pequeno treino à hora de almoço e noutro decide dar uma caminhada ou uma corrida no fim do trabalho. O que interessa é que programe a sua agenda tendo em conta os seus objectivos a este nível. Se não estiver no calendário, é mais fácil ficar para segundo ou terceiro plano.

4 – Incorporar mais movimento no dia-a-dia

Ser fisicamente activo não significa apenas fazer um determinado desporto, ir ao ginásio ou ter aulas disto ou daquilo. Há formas bem simples de trazermos mais movimento para o nosso dia-a-dia: subir as escadas em vez de usar o elevador, ir a pé ou de bicicleta para o trabalho ou nas suas deslocações, estacionar o carro mais longe quando temos de ir a algum lado, passear o cão, caminhar ao fim do dia no seu bairro (mesmo que não seja em ritmo acelerado) em vez de vegetar todos os dias em frente à televisão.

Dançar é também uma óptima maneira de pormos o corpo a mexer, e não temos de nos ir inscrever em aulas de dança ou de ir para nenhuma discoteca (como se tal fosse possível, nos tempos que correm). Podemos simplesmente aproveitar para abanar o esqueleto ao som da nossa playlist preferida enquanto limpamos a casa ou cozinhamos.

5 – Arranje uma forma de prestar contas

Uma das melhores maneiras de garantir uma prática consistente de exercício físico é sermos responsabilizados por isso, ou seja, termos de prestar contas a alguém. Uma das maneiras de o fazer é termos uma rotina de actividade física partilhada com outra pessoa – um amigo, familiar ou o seu companheiro(a) (pode ser até uma óptima forma de fortalecer relações). É também para isso (e não só, claro) que servem os personal trainers.

Pode também pedir a alguém que o “obrigue” a prestar contas ou fazê-lo a si próprio, através de uma espécie de diário. Nele pode registar os seus objectivos, a actividade física realizada e o impacto que isso tem na sua vida (na alimentação, no sono, no stress, no funcionamento intestinal, nos níveis de energia…). Ao documentarmos a nossa actividade e os seus benefícios, é mais fácil mantermos o foco e apercebermo-nos do nosso progresso.

E lembre-se: o exercício físico também é um músculo que se treina. À medida que vamos fazendo e sentindo os benefícios (físicos e emocionais), mais vontade temos de o praticar. Só custa dar o primeiro passo. Por isso, certifique-se que dá o passo certo e que ouve o seu corpo nesse processo. E, sobretudo, não seja demasiado exigente consigo próprio. Melhor que um plano ambicioso, é um plano implementado.

Artigo originalmente publicado no site do Jornal Público

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