Os 11 mandamentos para uma relação feliz e saudável


20 Março 2021

Todos sabemos que ter uma relação feliz e saudável é uma peça fundamental no puzzle da nossa saúde física e mental. Mas sabemos também que o amor é complicado. É complicado em tempos normais, que dirá em tempos de pandemia, em que muitos casais têm de conviver 24 horas por dia no mesmo espaço, acumulando teletrabalho, tarefas domésticas e cuidar dos filhos. Não há fórmulas mágicas. Mas há formas, simples e indolores, de nutrirmos as nossas relações e termos uma vida amorosa feliz e saudável.

Como se não bastassem os desafios habituais, o coronavírus veio pôr à prova a resiliência das nossas relações. Os últimos números conhecidos mostram uma inversão da tendência de diminuição das separações e alertam para um possível pico de divórcios pós-covid. No terceiro trimestre do ano passado, ou seja, no primeiro período pós-confinamento, houve 3862 divórcios em Portugal, mais 235 do que no mesmo período do ano anterior. Uma realidade que não é exclusiva do nosso país. Na China, por exemplo, houve um boom de divóricos a seguir à quarentena. E, infelizmente, houve também um aumento da violência doméstica.

Se não queremos fazer parte destas estatísticas, temos de fazer por isso. Qualquer relação requer trabalho. E cada uma tem a sua fórmula individual de sucesso. Mas há maneiras simples e eficazes de fortalecermos as relações. Neste artigo, deixo algumas dicas e sugestões, algumas baseadas em especialistas da área e outras na minha próxima experiência. Muitas são óbvias, mas será que estamos mesmo a aplicá-las?

1 – Cultivar os “mapas do amor”

Adoramos quando o nosso companheiro(a) faz algo que nós apreciamos ou parece estar dentro da nossa cabeça, não é? Há um termo para isso: “mapas do amor”, ou “love maps”, um termo criado por John Gottman, psicólogo norte-americano especializado nos temas do casamento e das relações.

Durante vários anos, Gottman e a sua equipa estudaram centenas de casais para identificar quais os factores que influenciam a estabilidade das relações – ou seja, se estas vão durar ou não. A investigação resultou num livro – “The Seven Principles for Making Marriage Work” –sobre os sete princípios para que um casamento resulte. Um deles é cultivar o tais “love maps”: aquela parte da nossa mente que armazena informação sobre a vida do nosso parceiro(a). Falamos de aspectos que vão desde a sua comida preferida ou a forma como gosta que se estenda ou dobre a roupa (cada um tem as suas manias…), até informação mais profunda, como quais os seus maiores medos, preocupações, esperanças e sonhos.

A investigação de John Gottman concluiu que aqueles casais que têm “mapas de amor” mais detalhados – ou seja, que prestam bastante atenção aos “pequenos detalhes” sobre o outro e que sabem mais sobre ele – são os que têm relações mais estáveis e duradouras.

2 – Partilhar hobbies

Um casal já partilha muita coisa – tarefas domésticas, gestão da casa e das finanças, educação dos filhos. Mas essa é a parte “obrigatória”. Partilhar hobbies e experiências é fundamental numa relação. Isso não significa que têm de estar juntos a toda a hora e fazer tudo em conjunto. Significa passarem mais tempo (de qualidade) a fazerem actividades que ambos gostam.

Pode ser fazer exercício físico em conjunto (algo que fazemos cá em casa e que recomendo vivamente), fazer caminhadas ou correr, cozinhar um jantar para os amigos, ir ao cinema ou ao teatro, ter aulas de dança ou simplesmente (e provavelmente algo bastante comum nestes tempos de confinamento) reservar a sexta-feira à noite como “movie night”. Não interessa qual a actividade, o que interessa é que seja algo que os dois membros do casal gostem e desfrutem em conjunto. E que, de preferência, seja presença assídua no calendário.

3 – Preservar a individualidade

Nem 8 nem 80. É óptimo passar tempo de qualidade em conjunto, mas todos nós precisamos de tempo de qualidade sozinhos, apenas connosco mesmos. Isso permite-nos cultivar a nossa individualidade, desenvolver os nossos próprios interesses e fomentar amizades e ligações fora da vida a dois.

Claro que, num contexto de pandemia e confinamento, fica mais difícil assegurar esse tempo a sós. Mas, mesmo debaixo do mesmo tecto, é possível. Uma das coisas que me ajudou neste processo foi criar o meu “altar” para fazer meditação: um cantinho no nosso quarto, com almofadas, velas e um cobertor, para onde vou fazer as minhas meditações. Fez tanto sucesso, que até o meu companheiro já recorre a ele também. Em horas separadas, claro.

4 – Sintonizar as “linguagens do amor”

Para termos uma relação amorosa bem-sucedida, é importante sabermos primeiro aquilo a que damos valor e, consequentemente, as formas como tendemos a exprimir e a receber amor. O autor e conselheiro matrimonial norte-americano Gary Chapman chama-lhe as “linguagens do amor” (“love languages”). São cinco:

1. Palavras de afirmação:

Palavras que mostram à pessoa com quem estamos que reparamos nela e a apreciamos.

Exemplos: “amo-te”, “essa roupa fica-te muito bem”, “obrigada por teres lavado a louça”.

2. Tempo de qualidade:

Passar tempo de qualidade com o seu parceiro(a).

Exemplos: um jantar ou saída a dois, uma viagem, partilhar um hobby ou fazer uma actividade em conjunto, ou simplesmente conversar (sem telemóveis à mistura).

3. Receber presentes:

Presentes ou gestos que mostrem que a outra pessoa nos aprecia, se esforça e pensa em nós.

Exemplos: oferecer um ramo de flores, uma jóia, ou algo mais simples que sabemos que a outra pessoa vai apreciar.

4. Ajudar:

Prestar ajuda em tarefas ou funções, mostrando carinho e consideração pelo outro e ajudando a poupá-lo ou a reduzir eventuais fontes de stress ou cansaço.

Exemplos: cozinhar uma refeição, lavar a roupa, limpar a casa ou fazer algum recado.

5. Contacto físico:

Diz respeito aos sinais mais físicos da relação, à materialização da relação emocional.

Exemplos: dar as mãos, beijar, abraçar, sentar lado a lado no sofá, etc.